Festival de cinema trará Milton Nascimento à Paraíba

Em dezembro, cantor mineiro será homenageado na sétima edição do Fest-Aruanda do Audiovisual Brasileiro. Coordenador-geral do evento disse que o show ainda está em negociação.

Audaci Junior (matéria publicada no Jornal da Paraíba em 6/9/11)

O cantor e compositor Milton Nascimento será homenageado na abertura da 7ª edição do Fest-Aruanda do Audiovisual Brasileiro, no dia 9 de dezembro, no Tropical Hotel Tambaú, em João Pessoa.

De acordo com informações do jornal Estadão, o festival vai exibir quatro filmes para os quais o cantor mineiro – que também é ator – fez a trilha sonora. Na programação do festival de cinema, que vai até o dia 14 de dezembro, estão as produções Os Deuses e Mortos (1970), de Rui Guerra, Fitzcarraldo (1982), de Werner Herzog, Noites do Sertão (1984), de Carlos Alberto Prattes Correia e O Viajante (1999), de Paulo César Saraceni.

O jornal ainda informa que Milton Nascimento trará também a sua nova turnê, …E a Gente Sonhando, mas, segundo o coordenador-geral do Fest-Aruanda, Lúcio Vilar, o show ainda está em negociação.

A revista Raça deste mês menciona também a vinda do mineiro à Paraíba.

Música e literatura

Além da repercussão nas mídias, Vilar aponta outra razão para a importância da vinda do músico ao festival: “A escolha do nome de Milton Nascimento é coerente com o perfil do evento esse ano, que terá como eixo cinema, música e literatura”.

De acordo com o coordenador, já está confirmada a vinda do paraibano Geraldo Vandré, que também será homenageado, e o filme Rock Brasília – Era de Ouro, de Vladimir Carvalho. A produção, vencedora na categoria de Melhor Documentário do Festival de Paulínia este ano, resgata a história das bandas de rock oriundas de Brasília como Aborto Elétrico, Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, entre outras.

A música também estará nas temáticas das mesas redondas e debates do evento. Segundo Vilar, críticos e historiadores da MPB como Zuza Homem de Mello e Tarik de Sousa estão sendo agendados pela organização.

No âmbito literário, foi feito um convite especial para Márcio Borges, antigo parceiro de Milton Nascimento e autor do livro sobre o Clube da Esquina.

Veja matéria: http://www.jornaldaparaiba.com.br/noticia/64917_festival-de-cinema-trara-milton-nascimento-a-paraiba

FESTIVAL ARUANDA ENCERRA CALENDÁRIO DE FESTIVAIS DE CINEMA DE 2010

CINEJORNAL/ CANAL BRASIL

 Reportagem: Bernadete Duarte

 O Fest-Aruanda 2010 esquentou ainda mais  o verão  na Paraíba.  Durante  seis dias, João Pessoa  tornou-se a capital nordestina do cinema e  atraiu um público de cerca de  sete mil pessoas. As mostras competitivas e paralelas, no total de 90 curtas e longas-metragens, foram  exibidas  no Hotel Tambaú, na capital e em Souza, Alto  Sertão.

“Uma Noite Em 67″, de  Ricardo Calil e Renato Terra,  “Dzi Croquetes”, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez (produção Canal Brasil), “Olhos Azuis”, de  José Joffily, O Sol do Meio Dia, de Eliane Caffé , Contratempo, de Malu Mader e “5x Favela, Agora Por Nós Mesmos”, de  Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Luciana Bezerra, estavam  entre os títulos de longas da programação.

A presença de  Linduarte Noronha, diretor de “Aruanda”, clássico do cinema brasileiro que   comemora 50 anos, foi o ponto de partida para  momentos que  certamente vão entrar para  a   história do festival.  Havia uma expectativa se o cineasta paraibano - avesso aos  eventos badalados  da sétima arte - iria mesmo comparecer.  E ele  apareceu,  feliz da vida, um presente para os convidados de vários estados brasileiros que estavam na platéia esperando para vê-lo  ser homenageado.

Linduarte Noronha recebeu o troféu Aruanda, batizado com esse nome em homenagem ao filme que dirigiu no início dos anos 60. Em pleno surgimento do Cinema Novo, Aruanda retratou   imagens da realidade da  pobreza do Brasil e inspirou futuras gerações de cineastas.
Os diretores Cacá Diegues e José Joffily, a atriz Zezita Matos e o ator José Dumont  foram homenageados pelo conjunto da obra.

-  Ser homenageada significa aumentar ainda mais a responsabilidade com  o meu  trabalho - declarou aos jornalistas a atriz  Zezita Matos. A consagrada atriz  de teatro  que estreou no cinema no filme “Menino de Engenho”, de Walter Lima Jr., se prepara para trabalhar em 2011 no novo filme do cineasta cearense Petrus Cariry, título ainda a ser definido.

Aos 60 anos de idade, 35 de carreira, uma coleção de prêmios por sua atuação de filmes dirigidos por  João Batista de Andrade, Eliane Caffé, Walter Salles, João Batista de Andrade, Zelito Viana, Hector Babenco, Tizuka Yamasaki, entre outros cineastas,  José Dumont recebeu o troféu das mãos da sobrinha, a  jornalista Kátia Dumont.

- A Paraíba é meu berço, é um estado gerador de grandes talentos, entre eles muitos que admiro,  vou citar alguns como Ariano Suassuna, Walter Carvalho, Vladimir Carvalho, Elba Ramalho,  Luiz Carlos Vasconcelos,  Zé  Ramalho, a lista é enorme! Sempre que eu volto, volto com o sentimento da Asa Branca (referência à  música  “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)  - declarou o ator no palco do teatro do Hotel Tambaú.

Exemplo de vida e de perseverança no meio artístico, Dumont tem uma coleção de prêmios  por sua atuação no cinema nacional (seis Candangos e Kikitos e Prêmio APCA de melhor ator).

- Quase virei suco! (risos). Como todo nordestino que sai daqui  em busca de uma vida melhor e mais justa, tive muitas  dificuldades.  Passei fome, frio, desprezo, solidão, mas tinha um porto seguro que era o amor incondicional da minha família e os  ensinamentos dos meus pais -   relembra o ator.
Dumont está em cartaz em uma novela de televisão, mas nos bastidores o que não falta é  proposta de trabalho para os anos de 2011 e 2012. O nome dele está sendo disputado para atuar em uma peça de teatro, dois longas nacionais e uma coprodução Brasil-Itália.  O  ator evita  falar no assunto.  Será superstição? Afinal, 2011 ainda não chegou…

- Pela primeira vez o Fest Aruanda exibiu uma atração internacional. A sessão do filme “Godard, Truffaut e A Nouvelle Vague”, produção francesa de Emmanuel Laurent, marcou a comemoração dos 50 anos do movimento que  influenciou toda a cinematografia mundial e foi tema de um dos debates dessa edição.  O Festival foi um sucesso, estou muito feliz com o resultado,  declarou Lúcio Vilar, coordenador geral do  Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro.

Aruanda: Os 50 Anos de um filme clássico

Por Luiz Zanin

ESTADÃO.COM.BR/blogs

JOÃO PESSOA/ PARAÍBA

“Como eu fui burro! Como eu fui burro!”. É o que teria dito o jovem Glauber Rocha ao conhecer Aruanda, o seminal documentário de Linduarte Noronha, filme que está comemorando 50 anos de existência. Anos bem vividos, aliás, pois poucas obras do audiovisual brasileiro foram tão influentes e seminais quanto este em aparência singelo registro de uma comunidade quilombola na Serra do Talhado, no Estado da Paraíba.

A “burrice” a que aludia Glauber Rocha se refere ao seu começo de carreira, em particular ao belo e estetizante curta-metragem O Pátio (1959), que pouca coisa teria a ver com os caminhos em seguida trilhados pelo cineasta baiano após sua estreia em longa-metragem com Barravento, em 1962. Ao assistir Aruanda, Glauber teria pressentido que o mapa da mina passava por aí. Numa imersão bruta na realidade brasileira, não em seu pitoresco, mas no registro mais verdadeiro e realista, que não excluía um olhar poético sobre a condição fragmentada do País. Quem conta essa história sobre Glauber é o próprio Linduarte Noronha, na sabedoria e na memória dos seus 80 anos. Ao lado de Aruanda, outro curta-metragem exerceu esse papel de farol para os jovens diretores do Cinema Novo: Arraial do Cabo, da dupla Paulo Cezar Saraceni e Mário Carneiro.

Com seu trabalho pioneiro, Linduarte entrou para a história do cinema brasileiro. Foi reconhecido. A fortuna crítica de Aruanda é impressionante. No calor da hora, os maiores ensaístas do cinema brasileiro escreveram sobre ele. Glauber Rocha, além do reconhecimento verbal, escreveu sobre Aruanda no Jornal do Brasil e depois incorporou o artigo em seu livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. Paulo Emílio Sales Gomes e Jean-Claude Bernardet o estudaram em profundidade em seus livros e nas páginas do Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. Paulo Emilio dizia que Aruanda era um manifesto. Em 2007, Bernardet voltou a ele em ensaio escrito para o suplemento Cultura de O Estado. A professora da ECA, Marília Franco, coordena, na USP, um laboratório de estudos sobre documentários chamado…Aruanda. O festival de cinema de João Pessoa, que promoveu esta homenagem aos 50 anos da obra, chama-se Cine Fest Aruanda (acaba de realizar sua 6ª edição) e distribui o Troféu Aruanda. Em suma, o filme de Linduarte Noronha nunca saiu de cartaz durante esse meio século de existência.

Curiosamente, a obra teve origem numa reportagem. Linduarte, antes de ser cineasta, era jornalista e crítico de cinema em diários da Paraíba. Tinha fama de exigente. Tanto assim que um dos distribuidores de filmes da cidade, irritado com os textos negativos sobre seus produtos, o apelidou de Bílisduarte Noronha. Linduarte ri muito ao recordar a história e lembrar seus 15 anos de crítico militante. Mas o trabalho que está na origem de Aruanda é uma reportagem à maneira clássica. Linduarte, e o correspondente do Estadão na Paraíba, Dulcídio Moreira, tinham ouvido falar de uma comunidade quilombola na Serra do Talhado. Os descendentes de escravos viviam de maneira primitiva, quase isolados da economia do país. Sobreviviam da venda de potes de barro, confeccionados de maneira artesanal e segundo técnicas ancestrais. Ambos subiram ao Talhado em 1957, em lombo de cavalo. Linduarte publicou a reportagem no jornal A União e Dulcídio a sua, no Estadão, com o título “Talhado não é mais que uma longínqua favela”. A notícia mereceu chamada de primeira página no Estado.

Havia mesmo naquela comunidade material para um excelente trabalho jornalístico, afinal era, nos anos 1960, uma sobrevivência arcaica em país que se industrializava. Havia também assunto para um filme, pressentia Linduarte. Só não havia como fazê-lo, por falta de condições técnicas. E não é que o jovem Linduarte teve a caradura de se deslocar ao Rio de Janeiro e pedir a Humberto Mauro, então presidente do Ince (Instituto Nacional do Cinema Educativo), que lhe emprestasse câmera e outros apetrechos? Diz que formulou o pedido a Mauro, que, de tão surpreso, gritou a um funcionário: “Esse rapaz da Paraíba quer que todos nós sejamos presos!” Mas como Mauro não era diretor igual aos outros, escravo da burocracia, Linduarte saiu do instituto com uma câmera Bell & Howell debaixo do braço. Voltou com ela à Paraíba e lá começou a fazer história, ainda que sob descrença e chacota de seus colegas da redação.

Aliou-se ao fotógrafo Rucker Vieira e subiram a Serra do Talhado. Trabalharam durante meses com os habitantes do quilombo e, depois da filmagem, o material foi levado ao Rio, ao Laboratório Líder, para ser montado. Não há no filme depoimentos orais dos habitantes do Talhado. Apenas o registro de imagens do seu trabalho de oleiros, realizado em especial pelas mulheres. Depois, o produto, potes e jarras, são colocados no lombo de jegues e levado para a cidadezinha mais próxima, Santa Luzia, onde são vendidos e trocados por mantimentos. Um ciclo econômico primitivo e, em aparência, sem saída. Esse círculo de ferro da pobreza extrema era justamente o que o documentário queria mostrar. E também era esta a ambição do Cinema Novo, que ensaiava nascer da parceria entre Glauber Rocha, que viera da Bahia, e jovens aspirantes a cineastas da Zona Sul carioca. Aruanda lhes apontava o caminho a seguir.

Em seus 22 minutos de duração, o filme tem a graça e o frescor das obras definitivas. Começa por uma parte que se poderia chamar de “ficcional”. Faz os próprios moradores encenarem a saga dos membros da família de Zé Bento (Paulino Carneiro), no século 19, em busca de terra fértil, onde pudessem se estabelecer. Encontram, por fim, uma nascente d’água e começam a construir a casa de barro, com a mesma técnica ainda hoje empregada nas regiões pobres do país, seja no sertão ou no litoral. Após esse prólogo, há um corte brusco e saltamos do século 19 para meados do século 20. Vemos as mãos no trabalho de moldar o barro e, dele, tirar os artefatos. A trilha sonora utiliza material em conformidade com as imagens - a comovente canção folclórica ” Ô mana deixa eu ir” (recriada por Villa-Lobos) e, em outras cenas, um tema recorrente tocado por uma banda de pífanos.

Quem pergunta a Linduarte por que empregou a forma ficcional para mostrar a chegada dos ex-escravos a Serra do Talhado, ouve a resposta: “Não havia escolha”, diz. “Não queria usar uma longa narração em off e precisava mostrar de alguma maneira como eles haviam chegado lá”. E, uma vez chegados lá, revelar como e porque aquelas pessoas permaneciam à parte, como num espaço econômico primitivo e perpetuador da sua condição precária. Na época, o Brasil instalava sua indústria automobilística e ainda havia gente vivendo à maneira do século 19. Essa sobrevivência do arcaico no moderno era um depoimento chocante sobre os contrastes sociais do País. Linduarte havia encontrado assunto e a forma para tratá-lo. De onde tirou essa sacada? Quando lhe perguntam sobre influências, responde: “apenas a dos cinejornais”. Aruanda é um filme de jornalista. A técnica cinematográfica, ele aprendeu, como autodidata, do Tratado de Realização Cinematográfica, do russo Lev Kulechov.

De maneira inspirada, Linduarte encontrou a maneira mais direta de mostrar as coisas como elas são. Simples assim.

A repercussão crítica

Um filme se completa naquilo que sobre ele se escreve. Para Paulo Emilio, Aruanda era “um manifesto” - quer dizer, um indicador do caminho a seguir na linha evolutiva do cinema brasileiro.

Glauber Rocha escreve que Linduarte e Rucker Vieira “entram na imagem viva, na montagem descontínua, no filme incompleto. Aruanda inaugura o documentário brasileiro nesta fase de renascimento que atravessamos.” (Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, 1963).

Jean-Claude Bernardet, mesmo fazendo reparos à precariedade técnica, diz que “a fita é importante porque, além de ser uma provocação e um estímulo, além de tratar de assunto brasileiro, o faz de uma maneira que pode se tornar um estilo e dar ao cinema brasileiro uma configuração particular (fora de qualquer emprego de folclore, exotismo, naturalismo, etc.), o que este, ao que eu saiba, nunca possuiu, nem de longe.” (Suplemento Literário do Estado de S. Paulo, 12/8/1961).

Em 2006, Bernardet volta ao assunto. Participando de um seminário no Fest Aruanda, percebe que o filme feito por Linduarte, Rucker era diferente daquele que ele e outros intelectuais haviam detectado como guinada no cinema brasileiro no início dos anos 60. E o clássico que hoje se discute à luz de certo recuo histórico, era ainda outra coisa, já contaminada pela consagração. O texto “Aruanda como objeto mental” (Caderno 2/Cultura, 18/2/2007) articula essa fértil ideia de Bernardet: o mesmo filme pode adquirir configurações distintas segundo a época e o grupo de pessoas que sobre ele se debruçam.

De certa forma, há um Aruanda para cada espectador e para cada época. E isso por vários motivos. Um deles é, em se tratando de interpretação artística, esse deslizamento é inevitável. Mais ainda quando se trata de obra ambígua como é o caso. Moderna pela fotografia, montagem e precariedade de meios aplicadas à própria linguagem, Aruanda é antiquada pela narração em off por um locutor à Luiz Jatobá, como lembra Bernardet. E, depois, porque, à maneira de um clássico, Aruanda não se esgota e nem deixa de produzir significações, mesmo tendo já tanto tempo de estrada.

Um dos significados da palavra Aruanda é liberdade.

Vencedores da 6º Edição do Fest-Aruanda

CATEGORIA TV UNIVERSITÁRIA

MELHOR PEÇA PUBLICITÁRIA

ALL STAR, DA UNIVERSIDADE MACKENZIE DE SÃO PAULO

 MELHOR INTER PROGRAMA

NIPON, DA TV FTC

 MELHOR REPORTAGEM DE TV UNIVERSITÁRIA

CARREIRAS, DA UNIVERSIDADE MACKENZIE DE SÃO PAULO

 MELHOR PROGRAMA DE TV UNIVERSITÁRIA

QUARTO MUNDO INVERTIDO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

 MELHOR DOCUMENTÁRIO PARA TV UNIVERSITÁRIA

RAINHAS, DA TV USP

 MELHOR REPORTAGEM DE TV UNIVERSITÁRIA

CARREIRAS, DA UNIVERSIDADE MACKENZIE DE SÃO PAULO

 O JÚRI AINDA OUTORGOU MENÇÕES HONROSAS PARA:

 BABAUPARATODOS, DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR)

 PROGRAMA INVERTIDO, DA UNIVERSIDADE MACKENZIE DE SÃO PAULO

 

MOSTRA COMPETITIVA

MELHOR SOM:

1.21

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL:

GUTO TEIXEIRA (O ACASO E A BORBOLETA)

 MELHOR FOTOGRAFIA:

1.21

 MELHOR MONTAGEM/EDIÇÃO:

 É MUITA AREIA PRO MEU CAMINHÃOZINHO

 MELHOR ROTEIRO:

LOS MINUTOS, LAS HORAS

 MELHOR ATRIZ:

 LAURA DE LA UZ, POR LOS MINUTOS, LAS HORAS

 MELHOR ATOR:

GATTO LARSEN, POR ENSAIO DE CINEMA

 MELHOR DIREÇÃO:

ALLAN RIBEIRO, POR ENSAIO DE CINEMA

PRÊMIO RODRIGO ROCHA DE MELHOR CURTA UNIVERSITÁRIO:

 FELIZ DESANIVERSÁRIO

TROFÉU NEPPAU MELHOR CURTA PARAIBANO:

O CONTADOR DE FILMES

MELHOR DOCUMENTÁRIO PARAIBANO:

MENINO ARTÍFICE

 MELHOR CURTA EXPERIMENTAL:  

1.21

 MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO:

O ACASO E A BORBOLETA

 MELHOR DOCUMENTÁRIO:

É MUITA AREIA PRO MEU CAMINHÃOZINHO

 MELHOR FICÇÃO:

ENSAIO DE CINEMA

 JÚRI POPULAR: MENINO ARTÍFICE

 JÚRI POPULAR MELHOR CURTA NACIONAL:

EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO

 JÚRI POPULAR MELHOR LONGA NACIONAL:

UMA NOITE EM 67

 TROFÉU BNB DE MELHOR FILME COM TEMÁTICA NORDESTINA:

VELA AO CRUCIFICADO

 

Matéria da Revista Brasileiros sobre o Fest-Aruanda

Ator de identidade

Em seu segundo dia, o Fest-Aruanda faz justa homenagem a dois grandes atores paraibanos.

Amilton Pinheiro, de João Pessoa (PB).

A sexta edição do Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro está comovendo a platéia presente por causa das homenagens dentro de sua programação. No sábado (11), dois atores paraibanos receberam o Troféu Aruanda pelo Conjunto da Obra. A primeira não é conhecida do grande público, pois sua carreira ficou praticamente restrita ao estado natal, a Paraíba. Zezita Matos teve papel de maior destaque interpretando a mãe da protagonista do filme Um Céu de Suely, do diretor Karin Aïnouz.

Como a maioria dos atores paraibanos que assentam sua carreira no teatro, e, por isso, ficam circunscritos no seu estado, Zezita tem uma longa carreira nos palcos, responsável por transformá-la em uma das mais brilhantes e fortes atrizes de sua geração.

Com mais de 50 anos de carreira e uma infinidade de trabalhos no teatro, ela ficou emocionada ao receber o Troféu Aruanda das mãos da jornalista Maria do Rosário Caetano. “Eu ficou muito gratificada em receber essa homenagem em vida, principalmente agora que estou em uma boa fase de minha carreira e trabalhando muito”, falou, em meio a muitos aplausos do público presente.

Outro ator paraibano que recebeu o Troféu Aruanda pelo Conjunto da Obra foi José Dumont, ou simplesmente Zé Dumont, que aos 60 anos de vida e mais de 35 de carreira, disse que ganhar um prêmio no seu estado tem um sabor muito especial. Em sua fala de agradecimento, Dumont tentou responder a indagação da jornalista Maria do Rosário Caetano, sobre a Paraíba ter produzido grandes atores e atrizes. “Tentando responder a sua pergunta, Rosário, acho que a Paraíba foi um celeiro de bons atores pela sua história. Um Estado que tem uma história tão rica, consequentemente produz bons artistas, em qualquer área. Temos muita história e isso reflete nas nossas artes”, respondeu extremamente comovido.

Seguem os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao site da Brasileiros, com exclusividade, antes de sua homenagem.

Brasileiros - Sessenta anos de vida e mais de 35 de carreira. O que tudo isso representa para você?


José Dumont -
Um sentimento de desejo realizado. Lembro-me de que quando saí de minha Belém, no interior da Paraíba, com uma mala na mão e poucas mudas de roupa, não podia imaginar aonde eu poderia chegar. Tinha muita vontade de trabalhar como ator para me realizar e poder dar uma condição mais digna para minha família. E toda essa trajetória foi em função disso, que agora sei que consegui realizar.

Brasileiros - Em uma entrevista recente, você disse que ainda estava buscando seu espaço na televisão. E disse que: “É difícil entender uma TV que não conhece a miscigenação do seu povo”. Sua carreira na televisão, diferente do cinema, foi prejudicada por conta das suas características físicas muito fortes?


José Dumont -
Acredito que sim. Mas acho que tantos anos insistindo, acho que acabei conseguindo uma certa mobilidade de papéis dentro da televisão. Estou muito feliz com o personagem que estou fazendo dentro da novela Ribeirão do Tempo, na Record. Claro que ainda a televisão não respeita a nossa miscigenação, precisamos ainda estabelecer esse respeito e essa conquista.

Brasileiros - O ator Lima Duarte, com seus traços fortes de caboclo mineiro, conseguiu romper com essa limitação imposta a atores com essa característica, não acha?


José Dumont -
Realmente, você citou um ator que conseguiu impor seu talento. Lima Duarte é um ator excepcional, que venceu por manter sua identidade, sem se descaracterizar.

Brasileiros - Foi difícil viver em uma cidade como São Paulo, sendo um exilado nordestino em busca de oportunidade? O que você fez para não virar suco (uma analogia ao filme que o projetou nacionalmente O Homem Que Virou Suco, de João Batista de Andrade, lançado em 1980)?


José Dumont -
Algumas vezes, tive de virar suco literalmente (risos). Como todo nordestino que vai em busca de uma vida melhor e mais justa, tive grandes dificuldades. Passei fome, frio, desprezo, solidão, mas tinha um porto seguro, que era o amor incondicional da minha família e a firmeza de caráter e ensinamento dos meus pais.

“A Cidade do Sol vira a Cidade do Cinema” (Matéria da Revista Brasileiros)

A capital da Paraíba, João Pessoa, abre espaço para a produção do cinema brasileiro, com a abertura oficial da 6ª edição do Fest-Aruanda.

Quando o Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro começou, em 2003, dentro do curso de Radialismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o seu tamanho e formato eram diferentes do que é hoje. Coordenador-geral do Fest-Aruanda, o professor Lúcio Vilar lembra que naquela primeira edição o público era totalmente formado por alunos, professores e profissionais de cinema das universidades e não passava de 70 pessoas por sessão.

“Quando começamos, lá em 2003, não esperava que em tão pouco tempo o festival se transformasse no que ele é atualmente. Desde o ano passado, crescemos muito, não só pelo aumento do público, mas principalmente pela produção audiovisual que exibimos durante o festival”, revelou. Na noite desta sexta-feira, quando abriu oficialmente a 6ª edição do Fest-Aruanda, com a homenagem aos 50 anos do documentário Aruanda, de Linduarte Noronha, e a exibição do documentário Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, o público presente poderá conferir as mudanças no maior e mais importantes festival de cinema da Paraíba.

 

Uma tela para a produção nacional

Durante os seis dias do Fest-Aruanda, que também tem uma programação dedicada à criançada, com o Aruandinha (veja programação completa no site do festival, aqui), o público paraibano poderá assistir às produções de curtas feitas pelos alunos de universidades de todo o País e também ter acesso a algumas produções que chegaram ao circuito exibidor brasileiro. A cidade de João Pessoa possui em torno de nove salas de cinema e o espaço é quase exclusivamente dedicado ao cinema comercial americano. Poucas são as produções de filmes nacionais exibidas. As exceções são, geralmente, os longas com a chancela da marca Globo Filmes e/ou filmes que ganharam projeção nacional.

Assim, o Fest-Aruanda acaba servindo também como “tela” de exibição de filmes brasileiros que não chegaram às salas de cinema de João Pessoa, como os documentários Uma Noite em 67 e Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, que passaram com sucesso pelo circuito exibidor neste ano. “O problema de abertura do mercado exibidor para filmes nacionais não é uma função de um festival de cinema, mas o Fest-Aruanda acaba suprindo essa lacuna, que deveria ser equacionada por outras vias”, reconhece Maria do Rosário Caetano, curadora do festival.

 

Grandes atrações

No ano passado, o Fest-Aruanda homenageou o diretor Walter Carvalho, um dos filhos da terra. O material virou um DVD, produzido pelo Centro Cultural do Banco do Nordeste dentro da programação Nomes do Nordeste, e será lançado na segunda-feira 13, às 20h no Salão Sérgio Bernardes do Tropical Hotel Tambaú. O evento faz parte também da programação.

O diretor paraibano Walter Carvalho, que começou a sua atividade como fotógrafo (hoje alterna com a função de diretor), diga-se de passagem, um dos mais talentosos e mais requisitados no Brasil, virou um realizador de documentários (são dele Janela da Alma, com João Jardim, e Moacir Arte Bruta, além de filmes ficcionais, como Cazuza - O Tempo Não Pára, com Sandra Werneck, e Budapeste). Ele estará presente no lançamento do DVD para falar com o público sobre seus principais trabalhos como fotógrafo e diretor (aguarde entrevista durante a cobertura do festival).

Outra grande atração dentro do Fest-Aruanda é a presença do diretor e produtor Cacá Diegues, que vai ser homenageado no dia 15, no encerramento do festival, pelo conjunto da obra. O documentário Cinco Vezes Favela, produzido pela CPC-UNE em 1962, será exibido juntamente como o filme 5 X Favela, Agora Por Nós Mesmos, que Cacá Diegues ajudou a produzir com jovens realizadores de comunidades cariocas. O público paraibano poderá assistir às duas produções, que falam sobre os moradores de morros cariocas de ontem e de hoje. Primeiro, uma visão de diretores brancos de classe média (Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Miguel Borges, Leon Hirzman e Marco Farias), que dirigiram os cinco episódios do filme de 1962. Depois, o olhar de sete diretores negros, moradores de favelas, que dirigiram os cinco episódios que compõe 5 X Favela.

 

Amilton Pinheiro, de João Pessoa (PB)

(Revista Brasileiros)

As Oficinas estão sendo Ministradas na Sala do Mestrado em Comunicação Social-CCTA


PROGRAMAÇÃO OFICIAL 6º FEST-ARUANDA

SEXTA-FEIRA, dia 10        

09h00/10h30 - SESSÃO ARUANDINHA: Exibição Longa-Metragem: A Casa Verde, de Paulo Nascimento (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

08h30/14h00 - Seminário Interdisciplinar: Campos emergentes e intercruzados: cinema, ciberespaço, games e hqs.

Local: Sala Cabo Branco (Hotel Tambaú)

Curadoria: Profa. Dra. Nadja Carvalho (UFPB)

20h00 - Solenidade de abertura: Homenagem aos 50 anos de “Aruanda” e ao Centenário de Nascimento de João Córdula

Local: Salão Sérgio Bernardes do Hotel Tambaú

20h30 - Exibição do Longa-Metragem Uma Noite em 67, com apresentação do diretor Renato Terra e Ricardo Calil.

 SÁBADO, dia 11       

16h00 - SESSÃO VERSPERTINA - Exibição do longa-metragem: Contratempo, de Malu Mader.

17h00 - Abertura Oficial Mostra Competitiva Curtas Digitais

19h30 - Solenidade de Homenagem aos atores JOSÉ DUMONT e ZEZITA MATOS - Troféu Aruanda CONJUNTO DA OBRA

20h00 - Exibição do Curta-Metragem: Azul, de Eric Laurence (PE)

20h30 - Exibição do Longa-Metragem: O Sol do Meio Dia (SP)       

 DOMINGO, dia 12

 07h00 - 4ª EXPEDIÇÃO À ROLIÚDE NORDESTINA - CABACEIRAS-PB

15h00 - SESSÃO VESPERTINA: Exibição do Curta-Metragem: Antomarchi, de Alex Santos, com presença do elenco.

15h45 -  Exibição do Longa-Metragem: O Sonho de Inacin, de Eliezer Filho (PB), com presença do elenco.

17h00 - MOSTRA COMPETITIVA CURTAS DIGITAIS

20h00 - Solenidade Homenagem: BRÁULIO TAVARES/Troféu Antonio Barreto Neto pela Contribuição à Crítica Cinematográfica Paraibana

20h40 - Exibição de Longa-Metragem: Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague, produção francesa de Emmanuel Laurent, uma homenagem do Fest-Aruanda aos 50 anos do movimento.

 SEGUNDA-FEIRA, dia 13

09h00 - SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

09h30 - Seminário Nacional: Diálogos Aruanda I - Nouvelle Vague, 50 Anos.

14h00 - Reunião da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), no Hotel Imperial.

15h30 - SESSÃO VERSPERTINA - Exibição DOC-TV Brasil: Jesus no Mundo Maravilha, de Newton Cannito

15h30 - SESSÃO ARUANDINHA: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

17h00 - Mostra Competitiva Curtas Digitais

19h30 - Lançamento DVD BNB Nomes do Nordeste - Walter Carvalho, com apresentação de Ricardo Pinto, gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB/Sousa-PB)

20h30 - Estréia do Curta-Metragem: O Contador de Filmes, de Elinaldo Rodrigues (PB)

20h45 - Exibição de Curta-Metragem: Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro (SP)

21h00 - Exibição: Longa-Metragem: Dzi Croquetes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, uma produção Canal Brasil

TERÇA-FEIRA, dia 14

O9h00 - SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

09h30 - Seminário Nacional: DIÁLOGOS AURUANDA II - 50 Anos de “Aruanda”

14h00 - Reunião da Comissão Executiva da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), no Hotel Imperial.

15h30 - SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

15h30 - SESSÃO VESPERTINA: Exibição do Longa-Metragem: Abaixando a Máquina, de Guillermo Planel.

17h00 - Mostra Competitiva Curtas Digitais

18h00 _ Sessão Aruandinha no Centro Interativo de Circo (CIC) _ Inauguração do Cineclube Sávio Rolim - Conjunto dos Bancários       

19H30- Exibição Curta-Metragem (estréia): Doce de Coco, de Allan Deberton (CE)

20h00 - Solenidade de Homenagem ao diretor JOSÉ JOFFILY (Troféu Aruanda pelo Conjunto da Obra) e posse na Academia Paraibana de Cinema.

20h30 - Exibição Longa-Metragem: Olhos Azuis, com apresentação do diretor José Joffily (RJ)

 QUARTA-FEIRA, dia 15

09h00 - SESSÃO ARUANDINHA: Exibição: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

09h30 - Seminário Nacional: Diálogos Aruanda III - Crítica Cinematográfica: História, Impasses e Desafios na Contemporaneidade

15h00 - SESSÃO VERSPERTINA - Exibição do Longa-Metragem 5 Vezes Favela (1962)

15h30 - SESSÃO ARUANDINHA: Exibição Longa-Metragem: Curta Criança (Sala Cine Digital/Espaço Cultural)

17H00 - COLETIVA DE IMPRENSA (HOTEL TAMBAÚ): cineasta CARLOS DIEGUES e produtora ANA RENATA MAGALHÃES.

19h30 - Solenidade de Premiação

20h30 - Solenidade de Homenagem ao cineasta CARLOS DIEGUES (Troféu Aruanda pelo Conjunto da Obra, a ser entregue por LINDUARTE NORONHA).

21h00 - Exibição do Longa-Metragem: 5 Vezes Favela, Agora por nós mesmos“, com apresentação dos produtores Carlos Diegues e Renata Almeida Magalhães.

SEMINÁRIO NACIONAL: Diálogos Aruanda III: Crítica Cinematográfica: História, impasses e desafios contemporâneos.

DIA 15

09h30 - SALA MANAÍRA

PAINEL NACIONAL:  DIÁLOGOS ARUANDA III - Crítica Cinematográfica: História,  impasses e desafios contemporâneos

Painelistas: Luiz Zanin (jornal O Estado de São Paulo), Fernando Trevas (UFPB), João Batista de Brito (UFPB) e Rolf de Luna Fonseca (crítico e escritor/SP)

Debatedor: Sílvio Osias(Jornal A União), Renato Felix(jornal Correio da Paraíba),  Carlos Dowling(cineasta) e Jãmarri Nogueira (crítico/jornal Correio da Paraíba)

Moderador: Lúcio Vilar  

14h00 - Sala Cabo Branco: Fórum Permanente do Audiovisual Paraibano

SEMINÁRIO NACIONAL: Diálogos Aruanda II - “50 Anos de Aruanda” / Oficina TVs Públicas

DIA 14

09h30 - SALA MANAÍRA

Painel Nacional: DIÁLOGOS ARUANDA II - 50 Anos de “Aruanda”

Painelistas: Marília Franco (ECA-USP), Wills Leal (Academia Paraibana de Cinema), João de Lima Gomes (UFPB) e Linduarte Noronha (diretor de “Aruanda”)

Debatedores: Regina Behar (UFPB), Carlos Dowling (cineasta) e Pedro Nunes (UFPB) e Paulo Cunha (UFPE)

Moderadora: Maria do Rosário Caetano

14:00 OFICINA TVs Públicas e a produção das TVs Universitárias, com Pedro Ortiz