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Aruanda é destaque no jornal O GLOBO

O Jornal O Globo da última sexta (16), trouxe como destaque o primeiro prêmio como diretora de cinema de Leandra Leal no 11º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, em João Pessoa.

Confira o texto da matéria a seguir:

A nossa ‘Divina Diva’

por Ancelmo Góis

Leandra Leal, 34 anos, a nossa Mulata do Gois, ganhou seu primeiro prêmio como diretora de cinema, pelo documentário “Divinas divas”. Foi eleita pelo Júri Popular, do Fest Aruanda, de João Pessoa. O filme já havia sido agraciado no Festival do Rio.
Ela merece!

Leandra Leal

foto: Leandra Leal | Darian Dornelles

Via Jornal O Globo

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Lançamento literário: 100 Melhores Filmes Brasileiros

Na 11° edição do Fest Aruanda aconteceu o lançamento do livro: ‘100 melhores filmes brasileiros’, da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) com presença dos autores locais da coletânea (João Batista de Britto, Renato Felix, Regina Behar e Lúcio Vilar).

O Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro acontece em João Pessoa-PB, de 08 a 14 de Dezembro, e tem Entrada Franca confira a programação completa em: http://www.festaruanda.com.br/programacao

axé: o cantto do povo de um lugar, o filme que abrirá o 11º Fest Aruanda

“Axé: Canto do Povo de Um Lugar” será o filme de abertura do 11º Fest Aruanda

Nesta quinta (08), às 19h30, no Cinepólis Manaíra Shopping, será exibido o longa-metragem: AXÉ – Canto do Povo de um Lugar (doc, 107min.) dirigido por Chico Kertész.

Vem curtir esse axé com a gente, vem 😉 

SINOPSE: Originário da Bahia e considerado hoje um dos movimentos musicais mais globalizados do mundo, o Axé é um ritmo musical que carrega em sua essência boa parte de todo o sincretismo musical e cultural baiano. O documentário reúne entrevistas e imagens de arquivo com objetivo de traçar um ponto inicial do nascimento do gênero.

O Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro acontece em João Pessoa-PB, de 08 a 14 de Dezembro, e tem Entrada Franca confira a programação completa em: http://www.festaruanda.com.br/programacao

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NOTA da organização do Fest-Aruanda

A organização do Fest-Aruanda se solidariza com a família do cineasta-documentarista Manfredo Caldas, morto prematuramente nesta sexta-feira, em Brasília. O fato enlutou a todos que fazem o audiovisual paraibano e, por que não dizer, ao próprio cinema brasileiro que perde um montador de reconhecida trajetória em dezenas de filmes. Manfredo Caldas foi homenageado pelo Fest-Aruanda em 2008 e, desde já, a curadoria do evento se mobiliza para organizar um tributo coletivo para a próxima edição que vai de 8 a 14 de dezembro.

 

Veja a matéria do JPB 2ª Edição no G1 Paraíba

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Lista de selecionados 2016

Mostra Competitiva de Curtas

Cumieira – Diego Benevides (PB, doc, 13 min)
O Bailarino – Lipe Canêdo (POR/MG, doc, 13 min)
Sala de Reboco: A história de Zé Marcolino – Ana Célia Gomes (PB, doc, 20 min)
Sexta-feira – Gian Orsini (PB, doc, 11 min)
Aquela Rua Tão Triumpho – Gabriel Carneiro (SP, fic, 15 min)
Lá do Alto – Luciano Vidigal (RJ, fic, 08 min)
Noite Púrpura – Caroline Biagi (PR, fic, 18 min)
O Homem Que Virou Armário – Marcelo Ikeda (CE, fic, 20 min)
Paranoico – Elvis de Sá (RJ, fic, 06 min)
Quando Parei de Me Preocupar com Canalhas – Tiago Vieira (SP/GO, fic, 15 min)
Stanley – Paulo Roberto (PB, fic, 19 min)
Xavier – Ricky Mastro (SP, fic, 13 min)

TV Universitária

Reportagem
Maria Bonita: Um retrato da Violência Sexual contra a Mulher em Campina Grande – Campina Grande PB – Thamires Tamares/ Ana Cláudia Cavalcante – 10 min
Onde o mundo se encontra – São Paulo SP – Adriana Chiaradia – 10 min
3×4: Doença periodontal em pessoas com Síndrome de Down – Bauru SP – Guilherme Bacciotti, Nico Stolzel, Paula Marques, Vitor Oshiro – 12 min
Abandono Museus – Ribeirão Preto SP – Flávia Martelli – 3min 55

Documentário
Fissura labiopalatina: o caminho da reabilitação – Bauru SP – Guilherme Bacciotti, Nico Stolzel, Paula Marques, Vitor Oshiro – 1h
Patrimônio ImateriaL – São Paulo SP – Adriana Charadia – 10 min
Marca-dos – Ribeirão Preto SP – Flávia Martelli – 11 min 53

Interprograma
Saber saúde: rinite – Bauru SP – Guilherme Bacciotti, Nico Stolzel, Paula Marques, Vitor Oshiro – 5 min
Cena Potiguar – Natal RN – Rosália Figueirêdo – 3 min
Pense nisso: Desperdício – São Paulo SP – Marcelo Dias – 3 min
Toda Beleza que há – Ribeirão Preto SP – Flávia Martelli – 3min 47

Programa de TV
Programa 3×4 – Bauru SP – Guillherme Bacciotti, Nico Stolzel, Paula Marques, Vitor Oshiro – 24 min
Canal de Histórias – Contação da Rua na Fazenda – João Pessoa PB – Valeska Picado – 19 min
Os profissionais – São Paulo SP – Wllyssys Wolfgang – 28 min
TVT entrevista: Indígenas na educação – Ribeirão Preto SP – Flávia Martelli – 14 min 50

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Fest Aruanda anuncia vencedores de 2015

O 10º Festival Aruanda foi encerrado na noite desta quarta-feira (16), na sala Macro XE do Cinépolis Manaira Shopping, com público recorde. Cerca de 700 pessoas estiveram presentes na disputada sessão de Chico – Um Artista Brasileiro, do diretor Miguel Faria Jr, que foi seguida da premiação da mostra competitiva do festival. O filme foi encerrado sob aplausos da plateia, que também bateu palmas ao longo de vários momentos da exibição.

A premiação consagrou principalmente o documentário paraibano Praça de Guerra, de Edi Junior, que retrata um foco de guerrilha iniciado em Catolé do Rocha na década de 1960. O filme abacanhou os troféus de melhor curta paraibano, melhor curta pelo júri popular, e ainda o prêmio BNB concedido ao melhor curta com temática nordestina.

O curta O Sinaleiro, de Daniel Augusto, que traz o ator paraibano Fernando Teixeira no papel principal, também se destacou ganhando prêmios técnicos de direção de fotografia, montagem e som. O prêmio de melhor curta do festival ficou para o curitibano Tereza, de Mauricio Baggio, que além do troféu, ganhará R$ 5 mil em serviços de pós-produção com a produtora Mistika.

Entre os longas, Travessia, de João Gabriel ficou com os troféus de melhor longa, melhor montagem e melhor ator (Chico Díaz), levando o também R$ 20 mil em serviços de pós-produção com a Mistika.

Nise – no coração da loucura, de Roberto Berliner, levou os troféus de melhor longa pelo júri popular, melhor trilha sonora e melhor direção de arte.

Confira a lista completa de premiados:

TV Universitária

PROGRAMA DE TV: TV Mackenzie – São Paulo, SP.
Título: “Os Profissionais 22 ? Cibercrimes, Qualidade de Vida e Erros de Português”, de Wllyssys Wolfgang

DOCUMENTÁRIO: TV UNAERPE – Ribeirão Preto, SP.
Título: “Baque Chamou”, de Flávia Martelli

INTERPROGRAMA: TV PUC Rio, RJ.

Título: “Fotogramas do Rio Evandro Teixeira”

REPORTAGEM: TV Mackenzie – Anápolis, GO.
Título: “Invisíveis das ruas para as ruas”, de Adriana Chiaradia

Curtas

Melhor curta: Tereza, de Mauricio Baggio (12’ – ficção – Curitiba PR – 2015)

Melhor Roteiro: Maurício Baggio por Tereza

Melhor direção: João Paulo Palitot por Santa Rosa (20′ – ficção – João Pessoa PB – 2015)

Melhor ator: Bertrand Araújo por Santa Rosa

Melhor direção de fotografia: Jacob Solitrenick por  O Sinaleiro, de Daniel Augusto (15′ – Ficção – São Paulo SP – 2015)

Melhor montagem/edição: Daniel Augusto, por O Sinaleiro

Melhor som: Luiz Murilo Manso, por O Sinaleiro

Melhor atriz: Natália Moraes, por O Fim do Verão, de Caroline Biagi (13’43 – Ficção – Curitiba PR – 2015)

Melhor trilha sonora: David Neves e Seu Pereira Coletivo 401, por O Terceiro Prato, de Pablo Maia (20’ – Ficção – João Pessoa PB – 2015)

Melhor curta paraibano/ Prêmio BNB de melhor curta com temática nordestina/ Melhor curta Júri Popular/ Prêmio Abraccine de melhor curta: Praça de Guerra, de Edi Júnior (19’01 – Documentário – Catolé do Rocha PB – 2015)

Melhor animação: O Diário de uma Terra Chamuscada, de Vinicius Ângelo (3’47 – Animação – João Pessoa PB – 2015)

Longas

Melhor longa: Travessia, de João Gabriel

Melhor montagem: Lillah Halla e João Gabriel por Travessia

Melhor ator: Chico Diaz por Travessia

Melhor direção/ Melhor roteiro: Aly Muritiba, por Para Minha Amada Morta

Melhor direção de fotografia: Pedro Farkas por Através da Sombra, de Walter Lima Jr.

Melhor atriz: Virgínia Cavendish, por Através da Sombra

Melhor trilha sonora: Jacques Morelembaum, por Nise – no coração da loucura, de Roberto Berliner

Melhor direção de arte: Daniel Flaskman por Nise – no coração da loucura

Melhor longa júri popular: Nise, no coração da loucura

Melhor som: Uerlem Queiroz por Garoto, de Júlio Bressane

Prêmio especial do júri/ Prêmio Abraccine de melhor longa: Invólucro, de Caroline Oliveira. Pelo olhar sensível sobre o universo feminino

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Fest Aruanda apresenta diferentes formas de narrativa

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Depois de um começo em alta voltagem com a exibição e debate do polêmico Chatô, de Guilherme Fontes, o Fest Aruanda apresentou os primeiros longas concorrentes aos troféus. Garoto, de Julio Bressane, Invólucro, de Caroline Oliveira, e Através da Sombra, de Walter Lima Jr. tiveram boa recepção de público, cada qual à sua maneira e dentro de suas respectivas possibilidades.

Bressane não é dos cineastas mais fáceis, e nem faz questão de aplainar as coisas para ganhar a simpatia dos espectadores. Pelo contrário, trabalha pela utopia de trazê-los para as dificuldades que suas obras propõem. Esta não é diferente de outras, nesse particular. Vagamente inspirada num relato de Jorge Luis Borges sobre Billy The Kid (O Assassino Desinteressado Bill Harrigan), põe em cena um casal de jovens, Ela e Ele (Marjorie Estiano e Gabriel Leone). Eles se enamoram, vão a uma casa onde ocorre um crime. Depois empreendem uma fuga. Esta os leva à paisagem lunar do Lajedo de São Mateus, na Paraíba, palco também de outro dos filmes de Bressane, São Jerônimo.

A parte do Lajedo é a melhor. Não há diálogos. O diretor narra apenas através das imagens fantásticas do local. Leva ao extremo o cinema chamado “de atmosfera”, dispensando o recurso verbal e conduzindo o espectador pelo registro visual, mas também pelo espetacular trabalho de sons. Como se a natureza falasse pelo silencioso personagem masculino. Bressane, cada vez mais, busca um cinema metafísico, escavando camada após camada em sua recusa do lugar-comum. Difícil? Sim, e também indispensável.

Invólucro é um interessante documentário de Caroline Oliveira. Ela começa por documentar sua própria gravidez. Mas não se trata de um filme em primeira pessoa, autocentrado e biográfico, como virou moda. Após se mostrar à câmera, ela vai em busca de outras personagens que, em aparência, nada têm comum com ela mesma: duas mulheres já maduras que decidiram não ter filhos (uma médica e outra produtora cultural) e uma transexual. Invólucro fala do corpo feminino. De suas transformações, da angústia que produz, do apaziguamento que, em boa parte, funciona no reconhecimento do outro. Às vezes um tanto redundante, vai ao seu tema com ousadia e originalidade.

Em Através da Sombra, o tarimbado Walter Lima Jr. enfrenta um texto clássico do suspense – A Volta do Parafuso, de Henry James, já adaptado outras vezes. Agora é Virginia Kavendish quem interpreta a governanta que se ocupa da educação de duas crianças em uma mansão soturna.

O filme é dirigido de maneira clássica, com uma fotografia sóbria e envolvente de Pedro Farkas. Lima Jr. não cede ao facilitário dos sustos fáceis (embora alguns ocorram), mas investe mais na criação de um clima pesado, que vai se adensado a cada cena.

Leia Mais:http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,fest-aruanda-apresenta-diferentes-formas-de-narrativa,10000004743

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Almoço reúne artistas e equipe do Fest Aruanda na granja do governador

O governador Ricardo Coutinho recebeu, na manhã deste sábado (12), na granja Santana, a equipe de produção do Fest Aruanda. Cineastas, atores e jornalistas também participaram do encontro. O festival de cinema tem o apoio logístico do Governo da Paraíba e segue até 16 de dezembro.

“A Paraíba tem um papel fundamental na história do cinema brasileiro. Ao apoiarmos um evento de cinema a exemplo do Fest Aruanda, reforçamos o nosso compromisso com a promoção de nossa cultura e arte, que sempre foi uma preocupação constante nessa gestão”, comentou o governador Ricardo Coutinho. “Todos esses artistas, jornalistas e escritores, reconhecidos nacionalmente, reunidos aqui para discutir assuntos pertinentes da área cinematográfica, é um reconhecimento ao valor cultural da Paraíba”, acrescentou o governador.

O organizador do Fest Aruanda, jornalista Lúcio Vilar, ressaltou a importância da parceria com o Governo do Estado para a realização da décima edição do evento. “É um fato novo que reconfigurou uma série de coisas apesar das dificuldades orçamentárias. O Governo entrou com ações de logística, abrindo portas e janelas junto a setores que se envolveram com o festival”, afirmou. “O festival estava a um passo de ser cancelado. E a entrada, no circuito, do Governo do Estado, foi decisiva para a realização do evento”, acrescentou.

Estiveram presentes na Granja do Governador o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré; o jornalista e escritor Fernando Morais, autor do livro “Chatô, o Rei do Brasil”; o ator e diretor do filme “Chatô”, Guilherme Fontes; o ator Marcos Ricca, que fez o papel de Chateaubriand no cinema e o ator Lima Duarte. A vice-governadora Lígia Feliciano e o deputado federal Damião Feliciano também participaram do encontro, que contou ainda com jornalistas paraibanos e do Sudeste, que estão cobrindo o Fest Aruanda.

Artistas ressaltam importância cultural da PB – O ator Guilherme Fontes, diretor do filme “Chatô”, lançado em première paraibana na abertura do Fest Aruanda, destacou a importância de lançar o filme no Estado que Chateaubriand nasceu. “Era muito emblemático para nós lançar esse filme aqui. Nossa expectativa é que ele entre em cartaz em todos os cinemas de João Pessoa”, ressaltou.

Lima Duarte também falou sobre sua identificação cultural com a Paraíba. “A Paraíba me surpreende a cada dia, sempre mais e melhor desde 1962, quando estive no Teatro de Arena, fazendo revolução na América Latina, até hoje, com Chatô. Surpreende-me sua gente, seus costumes, sua cultura”, ressaltou.

Secom PB

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10º FEST ARUANDA REAFIRMA PLURALISMO E DIVERSIDADE GEOGRÁFICA DOS FILMES

Nove longas-metragens compõem a mostra principal do X Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que este ano se dará em novo cenário, o circuito Cinépolis, de 10 a 16 de dezembro. Na abertura, teremos a première paraibana de “Chatô”, o polêmico filme de Guilherme Fontes, e, no encerramento, outra première paraibana, a de “Chico, Artista Brasileiro”, de Miguel Faria Jr. Sete títulos oriundos de diversas geografias e projetos estéticos compõem a mostra competitiva e, portanto, disputarão o Troféu Aruanda. Há filmes dirigidos por jovens realizadores e por cineastas experimentados.

O time jovem forma-se com a pernambucana Caroline Oliveira (“Invólucro”), o paranaense Aly Muritiba (“Para minha Amada Morta”) e o baiano João Gabriel (“Travessia”). No time dos mais experientes, estão os mestres Walter Lima Jr. (“Através da Sombra”), Júlio Bressane (“Garoto”) e Walter Carvalho (“Um Filme de Cinema”). No meio de campo, Roberto Berliner (“Nise, o Coração da Loucura”).

A Paraíba está inscrita na história dos dois Walter e de Júlio Bressane. Walter Carvalho aqui nasceu e aqui iniciou o projeto de “Um Filme de Cinema”, registrando imagens das ruínas de uma tristemente abandonada (e ocupada por caixas de marimbondos) sala de projeção. Uma sala que, outrora, proporcionara grandes alegrias a seus espectadores. Da Paraíba, Walter partiu para o mundo, interessado em sequenciar esta história de gente louca por cinema, como Bela Tarr, Ruy Guerra, Ken Loach, Jia Zhang-Ke, Lucrécia Martel, Gus van Sant, o próprio Bressane, Karim Ainouz e outros.

O filme de Walter Lima Jr. que será apresentado nesta décima edição do Fest Aruanda é “Através da Sombra”. Trata-se de narrativa de suspense, que recria o conto “A Volta do Parafuso”, do escritor Henry James (1843-1916). A atriz pernambucana Virgínia Cavendish (de “O Auto da Compadecida”, de Guel Arraes) é a alma do filme. Ela o produziu, em parceria com Maria Dulce Saldanha, e protagonizou, ao lado de grandes atores como Ana Lúcia Torre e Domingos Montagner. Walter garante ter construído “um filme mais de assombros, que de terror”. A história do ficcionista norte-americano foi transposta para uma fazenda de café no Estado do Rio.

O fluminense Walter Lima Jr. iniciou sua carreira de diretor na Paraíba, com o tocante “Menino de Engenho” (1965). Na equipe, participava um jovem carioca, de 17 ou 18 anos, chamado Júlio Bressane. O futuro diretor de “O Anjo Nasceu” e “Filme de Amor” estabeleceria, naquele momento, profunda relação com a terra de Augusto dos Anjos. Em especial, com o Lajedo do Pai Mateus, cenário de “São Jerônimo”, filme protagonizado pelo paraibano (de Pilar) Everaldo Pontes. Agora, Bressane volta ao Lajedo para ambientar a terceira parte de “Garoto”, um dos quatro filmes do projeto Tela Brilhadora (realizados, além de Bressane, pelos diretores Bruno Sáfadi, Rodrigo Lima e Moa Batsow).

A Paraíba marca presença, também, no elenco do denso e desafiador “Para minha Amada Morta”, do paranaense (nascido na Bahia) Aly Muritiba. Uma das protagonistas do filme é a atriz paraibana Mayana Neiva, que interpreta uma dona de casa evangélica e contracena com Fernando Alves Pinto e Lorinelson Vladmir. O filme vem fazendo carreira notável em festivais internacionais e no Brasil. A estreia de Muritiba – diretor do longa documental “A Gente”, sobre agentes penitenciários – na ficção é realmente digna de todas as atenções.

De Pernambuco, chega o documentário “Invólucro”, de Caroline Oliveira. Neste filme, duas paraibanas, a despachada Dudha, e a modelo Isabella Tucci, se somam à dermatologista niteroiense (nascida em Olinda) Astrid para compor instigante retrato da relação da mulher com seu corpo. Dudha já entrou nos anos, mas segue firme em seu propósito de cultivar o corpo esguio, curtir a praia, caminhadas e, principalmente, namorados bem mais jovens que ela. Sem complexos ou culpas. Para ela, fazer sexo é uma experiência “inenarrável”. Astrid também já entrou nos anos e foge do lugar comum. Trilha seus caminhos profissionais e existenciais, fugindo do que, muitas vezes, é imposto a mulheres de vida apenas doméstica (ou domesticada). Isabella, que nasceu mulher no corpo de um homem, é jovem, bela e vaidosa. Diz, satisfeita, ser “trans”. E reafirma sua posição de “mulher com pênis”. Por que investiria na construção de “uma vagina sem útero?”, indaga. O filme foi realizado em quatro territórios (João Pessoa, Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, Niterói, no Estado do Rio, e em Londres, capital inglesa).

Roberto Berliner, de 58 anos, é velho conhecido dos paraibanos, em especial dos campinenses. Afinal, ele filmou um de seus trabalhos mais conhecidos – o documentário “A Pessoa É para o que Nasce” – em Campina Grande, com as ceguinhas cantoras. Desta vez, o cineasta carioca buscou sua matéria-prima em outro Estado nordestino, Alagoas. Afinal, foi lá que nasceu Nise da Silveira (1905-1999), força-motriz de “Nise, o Coração da Loucura”. A psiquiatra, que trocou Maceió pelo Rio, ganha vida graças à sólida interpretação de Glória Pires. Em volta dela, estão os internos do Engenho de Dentro, um assustador “depósito de loucos” ao qual a médica dedicou sua vida. Buscou na arte um caminho para atenuar a brutalidade dos choques elétricos, tidos como única terapia possível, e a marginalidade e isolamento que marcavam a vida dos pacientes.

Aos fãs de Dona Ivone de Lara, um aviso: a enfermeira que no filme de Berliner é interpretada pela atriz Roberta Rodrigues dá vida (embora sem fazer alarde) à grande sambista e integrante da Ala de Compositores do Império Serrano. Dona Ivone foi colaboradora de todas as horas da Dra. Nise.

Da Bahia, chega o longa “Travessia”, do cineasta e publicitário João Gabriel. Para protagonizar esta história de desentendimentos entre pai e filho, o realizador escalou os atores Chico Diaz e Caio Castro. Em torno deles, giram Camilla Camargo (filha do sertanejo Zezé de Camargo) e os baianos Cyria Coentro, Caco Monteiro e Amaurih Oliveira. A cidade de Salvador, a febril capital baiana, ambienta esta trama em que desejos desencontrados são embalados por festas e drogas. Um acidente inusitado deixará por um fio o amor entre pai e filho.

Na noite de encerramento do Fest Aruanda, o público assistirá a um documentário sobre Chico Buarque, reserva artística e ética da nação brasileira. A première paraibana de “Chico, Artista Brasileiro” nos permitirá belo e enriquecedor encontro com um cidadão bem-humorado, inteligente, articulado, sincero e reflexivo. O produtor Jorge Peregrino representará o documentário que vendeu, em apenas duas semanas, 50 mil ingressos.

“Chatô” e Lima Duarte

O ator mineiro Lima Duarte, de 85 anos, desembarca em João Pessoa, na Paraíba, com agenda cheia. Além de receber homenagem do festival e apresentar sessão especial do filme “Sargento Getúlio”, ele promete “incendiar o debate” do filme “Chatô”, de Guilherme Fontes. Afinal, Lima foi colaborador de primeira hora da pioneira TV Tupi, emissora que Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (Umbuzeiro, PB, 1892 – São Paulo, SP, 1968), o polêmico magnata da imprensa brasileira, inaugurou em 1950. Mas o ator não teve participação nem no livro de Fernando Morais (“Chatô, o Rei do Brasil”), nem no filme de Fontes. Quem conhece a história de Chatô sabe que ela oferece munição para fazer ferver qualquer discussão, esteja em pauta um filme, ou um livro ou a imprensa brasileira.

O mais esperado dos debates do Fest Aruanda – o do filme “Chatô” – colocará na mesma mesa, além de Lima Duarte, o escritor Fernando Morais, os cineastas Guilherme Fontes e Vladimir Carvalho, o pro-reitor de Cultura da Universidade Federal da Paraíba, Chico Pereira, e a diretora do curso de História da mesma instituição, Monique Cittadino. Como Chatô é um dos tótens da história paraibana, o debate deve mesmo pegar fogo. Os pontos de partida, claro, serão o filme “Chatô” (visto, em três semanas, por 40 mil espectadores) e o livro “Chatô, o Rei do Brasil – A Vida de Assis Chateaubriand, um dos Brasileiros Mais Poderosos deste Século”, que já vendeu mais de 100 mil exemplares.

Quem é paraibano sabe o peso de Assis Chateaubriand na história do Estado e do país. E isto fica claro na parte inicial do polêmico filme que Guilherme Fontes construiu, ao longo de vinte tumultuados anos, a partir do monumental livro de Fernando Morais, “Chatô, o Rei do Brasil”.

A première paraibana de “Chatô” apresentará aos cinéfilos de João Pessoa a chance de conferir a “chanchada tropicalista” levemente inspirada no livro fernandiano. O tema que deverá render muita polêmica no debate será, claro, a recriação cinematográfica de obras literárias. No caso, a biografia escrita por Fernando Morais. Quem leu o artigo que o jornalista-escritor publicou no Caderno 2, do “Estadão”, no dia da estreia paulistana de “Chatô”, encontrará nas entrelinhas ricas sugestões e questionamentos.

Vale lembrar que Morais abre seu livro lançando mão de recurso literário: Chatô sofre grave lesão neurológica (uma trombose dupla) e delira. Vê seu corpo e o da filha Teresa nus e pintados de vermelho e azul mastigando pedaços de carne humana. Carne do Bispo Sardinha, aquele devorado pelos índios em 1556. Mas o escritor embasa as 732 páginas de seu livro em sólidas pesquisas.

O filme de Guilherme Fontes parte dos delírios oriundos da grave lesão neurológica, que deixou o “magnata da mídia brasileira” tetraplégico, para compor – com o artifício de uma programa de TV de moldes chacrinianos, uma colorida chanchada tropicalista (e antropofágica). Escorado na liberdade narrativa, o filme funde personagens (a ponto de transformar dois inimigos figadais como o judeu-bessarabiano Samuel Wainer e o carioca Carlos Lacerda num inusitado Carlos Rosemberg), destrói a relação espaço-tempo e simplifica a complexa personalidade de Chateaubriand. O filho de família rica, que estudou em bons colégios e dispôs de muita leitura e estudo de idiomas, a ponto de tornar-se jornalista ainda adolescente (aos 15 anos) é mostrado como um celerado botocudo, priápico e desbocado full time.

Se Fernando Morais partiu de delírio ficcional para construir um documentário, Guilherme Fontes partiu do ficcional para o delírio pouco nuançado. Mesmo assim construiu um filme que, em alguns momentos, encontra ótimas soluções narrativas.

Homenagens

O Fest Aruanda prestará homenagem a três paraibanos: o compositor e trilheiro Geraldo Vandré, o cineasta Torquato Joel, e – in memoriam – o documentarista, fotógrafo e escritor Walfredo Rodriguez (1894-1974). Troféus Aruanda serão entregues também aos mineiros Lima Duarte (nascido em Sacramento-1930) e Fernando Morais (Mariana, 1946).

A família de Walfredo Rodriguez receberá o Troféu Aruanda em nome do documentarista que Vladimir Carvalho definiu como “o Humberto Mauro do Nordeste”. Autor de cinejornais e de um filme de longa-metragem (“Sob o Sol Nordestino”/1924-1928), Walfredo legou, ainda, a seus conterrâneos, dois livros de grande importância histórico-afetiva: “Roteiro Sentimental de uma Cidade” e “ História do Teatro Paraibano”. Os pesquisadores Wills Leal (nos dois volumes do livro-álbum “Cinema na Paraíba”) e Alex Santos (“Walfredo Rodriguez e a Cultura Paraibana”) estudaram a trajetória do pioneiro do audiovisual nordestino, que viveu seu auge ainda na era muda. Lúcio Vilar, criador e coordenador do Fest Aruanda, defendeu tese de doutorado na USP, tendo Walfredo como objeto de estudo.

O pessoense Geraldo Vandré, que em setembro último completou 80 anos, recebe o seu Troféu Aruanda pelo imenso valor de sua criação musical e, em especial, pela arrebatadora trilha composta para “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”. Os espectadores do festival assistirão a um documentário que o titã Charles Gavin e o Canal Brasil dedicaram a uma das mais importantes ações de Vandré: o estímulo à criação de um dos discos mais belos já criados neste país (“Quarteto Novo”/1967).

O roteiro de “O Som do Vinil – Quarteto Novo”, escrito por Tárik de Souza, mostra que o artista paraibano foi o mentor, mecenas e colaborador do grupo que reuniu os craques Hermeto Paschoal, Theo de Barros, Airto Moreira e Heraldo do Monte para acompanhá-lo em shows e pesquisar novas sonoridades brasileiras. Em 1968, acompanharam Vandré no disco “Canto Geral”.

Torquato Joel, nascido em Souza, formou-se em Comunicação na UFPB e frequentou, em Paris, o Ateliê de Realização Cinematográfica – Varennes. De volta ao Brasil, realizou diversos vídeos e curtas-metragens. Os mais conhecidos são “Imagens do Declínio – ou Beba Coca, Babe Cola”, “O Verme na Alma” (1998), “Passadouro” (1999) e “Transubstancial” (2003), este, sobre o universo poético de Augusto dos Anjos, eleito “o paraibano mais importante do século XX”. Hoje, além de seguir fiel ao formato curto, Torquato tem corrido municípios, onde ministra importantes oficinas de criação cinematográfica.

O homenageado Lima Duarte chega aos 85 anos em plena atividade, cheio de gás. E com invejável folha de serviços prestados ao cinema e à TV brasileiros. De 1950, ano da implantação da TV Tupi no Brasil, até hoje, Lima fez de tudo: telenovelas (como os sucessos “Roque Santeiro” e “Pecado Capital”), programas musicais (“Som Brasil”) e séries (“O Bem Amado”). No cinema, brilhou em “Sargento Getúlio”, um dos trabalhos mais notáveis (e premiados) de sua carreira. Atuou também em filmes dos lusitanos Manoel de Oliveira (“Palavra e Utopia”), José Fonseca e Costa (“Kilas, o Mau da Fita”) e Paulo Rocha (“Rio do Ouro”), e dos brasileiros Joaquim Pedro de Andrade (“Guerra Conjugal”), Anselmo Duarte (“O Crime do Zé Bigorna”), Maurice Capovilla (“O Jogo da Vida”), Walter Lima Jr. (“A Ostra e o Vento”), Ugo Giorgetti (“Boleiros”), Guel Arraes (“O Auto da Compadecida”) e Andrucha Waddington (“Eu, Tu, Eles”), entre outros.

Fernando Morais vive momentos de dor e alegria neste exato momento. Afinal, sua cidade natal, plantada no núcleo de sítios históricos do barroco mineiro, foi abalada por um dos maiores acidentes ecológicos de nossa história (o vazamento de resíduos da mineradora Samarco no Rio Doce). Por outro lado, ele vê chegar aos cinemas a recriação cinematográfica de seu livro mais ambicioso (“Chatô, o Rei do Brasil”). Antes, dois de seus outros livros haviam chegado aos cinema: “Olga” (Jaime Monjardim) e “Corações Sujos” (Vicente Amorim).

Por Maria do Rosário Caetano

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Após 20 anos, Geraldo Vandré retorna a João Pessoa para ser homenageado

Ele chegou à capital paraibana nesta quarta-feira (9).
O músico vai ser homenageado no 10º Festival Aruanda.

O músico Geraldo Vandré chegou nesta quarta-feira (9) em João Pessoa para receber uma homenagem no 10º Festival Aruanda e passar uma semana pela cidade. Esta é a primeira vez, após 20 anos, que ele retorna à terra natal. Vandré recebe na quinta-feira (17) o Troféu Aruanda de Contribuição ao Cinema Nacional, graças ao seu trabalho na trilha sonora do longa A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1966).

O evento acontece no Cinépolis Manaíra, no Manaíra Shopping. A programação completa está no site do festival.

Na época do longa pelo qual é homenagiado, o músico era fortemente ativo na arte e na política brasileira lutando contra a ditadura militar, sendo exilado do país por causa de músicas como ‘Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores’.

De acordo com o produtor executivo do Fest Aruanda, Lúcio Vilar, Vandré não está vindo para João Pessoa apenas como músico, mas como alguém vinculado ao cinema brasileiro. “A importância desta vinda dele não é só pro Aruanda. O Vandré, o mito em carne e osso, de volta à terra-mãe tem uma dimensão histórica enorme para João Pessoa e para Paraíba”, disse.

Na sexta-feira (11), o festival recebe o ator Lima Duarte e o biógrafo Fernando Morais, outros dois homenageados desta edição da premiação, para um debate ‘Diálogo Aruanda de Cinema’, às 10h, no Hotel Sapucaia em Tambaú. Amanhã, será exibido o filme Chatô – O Rei do Brasil (1995), tema principal do evento.

Fonte: G1